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TUPA em Morro de São Paulo: O que mudou, quanto vai custar e o que está por trás do reajuste
Por que a "pérola da Bahia" está ficando mais cara de acessar — e o que isso significa para o turismo no arquipélago de Cairu
O que é a TUPA?
Quem já pisou na areia branca de Morro de São Paulo sabe que o paraíso tem um preço de entrada. Desde 2019, visitantes que chegam à ilha precisam pagar a TUPA — Tarifa por Uso do Patrimônio do Arquipélago (oficialmente chamada de Tarifa de Preservação e Uso do Patrimônio do Arquipélago Municipal). A cobrança é feita uma única vez por pessoa, no píer de embarque e desembarque, independentemente de quantos dias o turista permanecer no local.
O objetivo declarado da taxa é financiar os serviços essenciais que sustentam o fluxo turístico intenso do arquipélago: coleta e transporte de resíduos sólidos, manutenção de praias, trilhas e terminais hidroviários, fiscalização ambiental, além da preservação de monumentos históricos e biomas locais.
A linha do tempo dos reajustes
A TUPA passou por uma série de atualizações nos últimos anos:
- 2019: Implementação da taxa
- Agosto de 2021: Pagamento digitalizado via aplicativo "TUPA Cairu" e totens de autoatendimento
- Dezembro de 2023: Valor reajustado para R$ 50,00
- 20 de dezembro de 2025: Novo reajuste eleva a tarifa para R$ 70,00
- 1º de agosto de 2026: Previsão de aumento para R$ 90,00 (adiado em relação à data original de 1º de julho)
O reajuste de dezembro de 2025 representou um salto de 40% no valor da taxa. E o novo aumento programado para agosto de 2026 elevará a tarifa em mais 28,5%, chegando a R$ 90 por visitante — um crescimento de 80% em menos de três anos em relação ao valor de R$ 50.
Por que o reajuste para R$ 90 foi adiado?
Originalmente, a Prefeitura de Cairu havia fixado o novo valor de R$ 90 para entrar em vigor em 1º de julho de 2026. No entanto, a data foi postergada para 1º de agosto de 2026. O motivo: obras de infraestrutura ainda em andamento.
Segundo a prefeitura, Morro de São Paulo está recebendo uma nova estrutura de controle de acesso de visitantes, um equipamento que vai organizar a entrada de turistas e dar suporte ao sistema de arrecadação e fiscalização da TUPA. Sem essa estrutura pronta, o reajuste foi adiado para garantir que a operação funcione de forma adequada.
E Boipeba?
O reajuste não se limita a Morro de São Paulo. A ilha de Boipeba, também pertencente ao município de Cairu, passará a cobrar a TUPA a partir de 20 de dezembro de 2026, com valor inicial de R$ 50,00. Para receber os visitantes com essa nova cobrança, a prefeitura constrói atualmente um novo receptivo turístico no distrito.
Os números que justificam o aumento
A Prefeitura de Cairu apoia o reajuste em dados financeiros concretos. Segundo o município, somente em 2024, as despesas diretamente ligadas ao turismo ultrapassaram R$ 17 milhões, enquanto a arrecadação total da TUPA representou menos da metade desse valor — gerando um déficit superior a R$ 5,9 milhões.
O volume de resíduos gerado pela atividade turística dá dimensão do desafio: em períodos de alta temporada, apenas Morro de São Paulo processa cerca de 25 toneladas de lixo sólido por dia. Todo esse material precisa ser transportado até o aterro sanitário de Santo Antônio de Jesus, distante aproximadamente 60 quilômetros da ilha.
Em maio de 2026, o arquipélago recebeu 13 mil visitantes, e a arrecadação da TUPA no período chegou a R$ 838,4 mil — valor que, segundo a prefeitura, é integralmente destinado à manutenção e aos serviços ambientais e turísticos.
Quem paga e quem está isento
A TUPA é cobrada de turistas que chegam ao arquipélago, mas há categorias isentas:
- Crianças com menos de 5 anos
- Residentes do município de Cairu
- Servidores a serviço da Administração Municipal
- Pesquisadores da fauna, flora ou ecossistemas locais, vinculados a instituições de ensino ou pesquisa
- Militares em serviço
Pessoas com deficiência têm direito à meia-entrada, inclusive para um acompanhante, mediante comprovação junto à Central de Atendimento.
Como pagar a TUPA
O pagamento pode ser feito de três formas:
1. Pelo site oficial: [tupadigital.com.br](https://tupadigital.com.br) — opção recomendada para evitar filas
2. Nos totens de autoatendimento na entrada de Morro de São Paulo
3. Presencialmente, no ponto de venda na chegada à ilha
O aplicativo TUPA Cairu também existe, mas tem recebido reclamações frequentes sobre seu funcionamento — o pagamento pelo site ou pessoalmente é a alternativa mais segura.
O debate por trás da taxa: transparência e fiscalização
O reajuste não passou sem questionamentos. Empresários do setor turístico local levantaram dúvidas sobre a gestão da taxa, atualmente operada pela empresa CashPago, responsável pela arrecadação e controle de entrada de visitantes. O trade turístico pediu auditorias independentes para verificar os números reais de visitantes — uma demanda que ganhou força após divergências entre os dados apresentados pela empresa e a capacidade de hospedagem da ilha.
A polêmica central: em fevereiro de 2025, a CashPago teria registrado 16 mil visitantes em Morro de São Paulo em um único mês, enquanto a ilha conta com cerca de 8 mil leitos disponíveis. Os empresários questionam se os valores cobrados correspondem à realidade operacional do destino.
A nova legislação aprovada pela Câmara Municipal de Cairu inclui, porém, uma medida para ampliar a destinação dos recursos: 2% da arrecadação total da TUPA passa a ser direcionado ao Fundo Municipal de Turismo, com foco em políticas de desenvolvimento sustentável no arquipélago.
O que esperar daqui para frente
Com o reajuste confirmado para agosto de 2026 e a nova estrutura de controle de acesso em construção, a tendência é que Morro de São Paulo passe a ter um fluxo de visitantes mais organizado e monitorado. A prefeitura também sinalizou interesse em expandir a cobrança da TUPA para outros destinos do município, como a Praia de Garapuá e o Centro Histórico de Cairu.
Para o turista, o recado é claro: é fundamental incluir a TUPA no orçamento da viagem. Com o novo valor de R$ 90 por pessoa, uma família de quatro adultos já desembolsará R$ 360 só para entrar na ilha — antes mesmo de escolher a pousada, o restaurante ou o passeio de barco.
O debate sobre custo-benefício e transparência na gestão dos recursos, no entanto, é um capítulo que o arquipélago ainda está escrevendo.
Fontes: Prefeitura de Cairu, Portal A Tarde, BNews, Pimenta Virtual, Turismo Interno. Informações atualizadas até junho de 2026.